NORDESTE  |  Pandemia

O papel da ONU HABITAT no Nordeste em época de pandemia

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por DAIARA SANTOS

Integrante do IDeF

O Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) lançou, em abril deste ano, um plano voltado para governos locais tomarem medidas para amenizar o impacto da covid-19, especialmente nas regiões marginalizadas, visto que manter o isolamento social é mais complexo em virtude da falta de estrutura. O Plano foi lançado dias após a campanha “Cidades Inclusivas, Seguras, Resilientes, Sustentáveis & Livres do Coronavírus” ser divulgada nas redes sociais da organização no Brasil. Ambas (o plano e a campanha) com funções semelhantes.

Sendo as áreas urbanas o epicentro da epidemia, para a ONU-Habitat, a solução também deve começar nessas regiões. Cabe aos governos locais e regionais protagonizarem as respostas para o enfrentamento do problema, enfatizando que as medidas precisam ser implementadas de  forma sustentável. Em virtude disso, alguns estados nordestinos buscam trabalhar em conjunto com a ONU-Habitat para amenizar o impacto do coronavírus em suas cidades.

Sendo as áreas urbanas o epicentro da epidemia, para a ONU-Habitat, a solução também deve começar nessas regiões.

Em Teresina, a ONU-Habitat lançou uma ferramenta digital visando mapear os riscos na cidade. O programa, denominado de Hurd (um dos termos da cooperação), foi ampliado para monitorar o alastramento do covid-19 na região. Por meio dele, a prefeitura pode analisar os relatórios fornecidos para agir de forma mais eficiente na solução do contágio do vírus. O programa também possibilita a participação da população no fornecimento de informações repassadas ao técnicos da prefeitura. Trazendo a fala de uma das servidoras públicas de Teresina, Gabriela Uchôa, da Secretaria Municipal de Planejamento  (SEMPLAN):

“Com a plataforma, teremos uma maior facilidade de monitoramento dos nossos riscos, coordenando nossas atividades, direcionando recursos e esforços de forma mais eficiente. A ferramenta gera automaticamente relatórios de análises de risco e dá agilidade na tomada de decisões, além de facilitar o acesso a financiamentos para garantir recursos”

Já em Alagoas, a ONU Habitat apoiou o debate virtual que ocorreu no início de junho com o tema “Ouvindo as comunidades em tempos de pandemia: ocupações, grotas e bairros populares em Maceió”, elaborado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O debate buscou discutir como essas regiões estão vivendo durante o período da pandemia. Além disso, a organização tem um dos seus escritórios no estado alagoano e mapeia, desde 2017, as grotas existentes na capital, contribuindo com o fornecimento de dados para a autoridade local. Ela fez um levantamento das áreas mais vulneráveis para auxiliar na luta contra o Covid-19 e lançou duas notas técnicas em conjunto com o governo alagoano e intermediado pela Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), facilitando a implementação de políticas específicas que se adapte a cada realidade.

Projeto visa ao desenvolvimento sustentável das grotas de Maceió

Foto: ONU-Habitat

Recife também firmou parceria com a ONU Habitat com o intuito de estimular as pessoas a manterem o isolamento social, tomarem medidas de higiene necessária e se engajarem em projetos sustentáveis. Como resultado, houve a criação do aplicativo de ginástica orientada “Movimenta Recife”. Além disso, um série de hábitos saudáveis passou a fazer parte do cotidiano de algumas comunidades. Para o secretário executivo de Inovação Urbana de Recife, Tullio Ponz, essa rotina passou a ser “mais um aliado no isolamento social e sua ampliação será muito importante na estratégia de convívio do recifense com a covid-19, especialmente nas periferias.”

A participação da ONU Habitat nas cidades citadas mostra o papel de relevância que ela tem  na luta contra o covid-19. De como seu trabalho facilita na distribuição de recursos com base na compreensão das necessidades de cada comunidade. Lugares como as favelas, por serem as regiões mais afetadas, são o foco da organização, que busca amenizar o impacto por meio do incentivo a políticas de infraestrutura e saneamento para possibilitar o mínimo de condições para enfrentar a pandemia nessas áreas.

A participação da ONU Habitat nas cidades citadas mostra como seu trabalho facilita na distribuição de recursos com base na compreensão das necessidades de cada comunidade.

13 DE JULHO DE 2020

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