NORDESTE  |  Saúde na Pandemia

O GOVERNO DO MARANHÃO E A COMPRA DE EQUIPAMENTOS ESTRANGEIROS PARA COMBATE AO COVID-19

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por MATEUS ANDRADE

Integrante do IDeF

11 DE MAIO DE 2020

Recentemente, o Governo do Estado do Maranhão, através da sua Secretaria de Indústria e Comércio, comandada pelo Secretário Simplício Araújo, realizou uma grande operação para conseguir comprar e trazer respiradores chineses diretamente para o estado. O governo estadual utilizou da boa relação que havia construído com as muitas viagens junto de empresários maranhenses à China e alguns parceiros chineses para conseguir identificar uma fábrica confiável para encomendar os respiradores.

Depois de várias tentativas frustradas de comprar respiradores em razão dos problemas ocorridos com Estados Unidos, Alemanha, e com o próprio Governo Federal, o governo estadual coordenou a operação de forma independente e em parceria com os empresários maranhenses, que foram cruciais para o seu sucesso. O plano para conseguir trazer 107 respiradores e 200 mil máscaras da China precisou ser bastante meticuloso.

Primeiramente, o governo estadual se valeu de contatos externos na China para identificar uma fábrica de confiança que não fosse vender os equipamentos para outros países. Em seguida, para garantir que não houvesse desvio, parte das operações foram transferidas diretamente para a Vale e para o Grupo Mateus (uma rede de supermercados que importa da China), que fizeram a vigilância interna da indústria chinesa e foram responsáveis por grande parte da logística. Os equipamentos foram escoltados até o aeroporto de Guangzhou, de onde o transporte seria feito através de um avião da Vale.

Imagem: Governo do Maranhão/Divulgação

(...) o governo estadual coordenou a operação de forma independente e em parceria com os empresários maranhenses, que foram cruciais para o seu sucesso.

Apesar disso, o percurso até a chegada ao Brasil ainda necessitou de grande estratégia: para evitar que os equipamentos fossem confiscados pelos EUA ou por países europeus, a parada para abastecimento do avião teria que ocorrer fora do radar europeu ou americano, e inclusive uma parada em Dubai, nos Emirados Árabes, foi descartada. Portanto, a parada escolhida foi na Etiópia (a cidade não foi identificada).

Da Etiópia, o avião chegou a Guarulhos e foi necessária outra estratégia para evitar que o Governo Federal tomasse a carga. Assim, um avião da companhia aérea Azul foi alugado pelo Governo do Maranhão e foi decidido que o processo de alfândega seria feito apenas em São Luís, capital maranhense. Ao chegar à noite em São Luís, não haviam funcionários da Receita Federal presentes devido ao baixo fluxo de voos no aeroporto por causa da pandemia, mas essas formalidades foram resolvidas no dia seguinte. Além disso, havia uma comitiva da administração estadual e dezenas de policiais militares à espera da carga no Aeroporto Marechal Cunha Machado.

Imagem: Folha de São Paulo

Finalmente, quatro horas apenas após o desembarque dos equipamentos, os respiradores foram enviados aos serviços de saúde e já puderam ser utilizados para atender paciente infectados pelo Covid-19. Houve denúncias de que os equipamentos eram ultrapassados e poderiam prejudicar a saúde dos pacientes, mas logo em seguida o Secretário de Governo do Estado esclareceu que dos 107 respiradores encomendados, 100 são modernos, e apenas 7 foram construídos para cenários de guerra, e não seriam tão modernos.

A operação durou 20 dias e teve um custo de R$ 6 milhões. A justificativa para toda a estratégia montada para a aquisição dos equipamentos, desde a escolha dos parceiros comerciais até a meticulosa logística no transporte dos respiradores, foi a de que, por outros meios, essa quantidade de respiradores só seria conseguida em três meses. Além disso, o secretário Simplício Araújo enfatizou que, no dia 16 de abril, existiam no estado pelo menos 630 casos de contaminação pelo Coronavírus e que 60% dos leitos de UTI já se encontravam ocupados.

No momento, o Governo do Maranhão aguarda ainda por outros 80 respiradores vindos também da China, mas que tiveram sua rota alterada para evitar imprevistos. Segue uma declaração do secretário Araújo sobre a operação:

“Da mesma forma que fizemos em São Paulo, tivemos que passar a mercadoria aqui em São Luís sem despertar a atenção da Receita Federal. Não posso dar mais detalhes porque estamos trazendo outra carga. Não queremos nos vangloriar por este drible. O que a gente gostaria é que o governo federal declare que não vai interferir nas nossas aquisições. Um Estado pobre como o Maranhão não pode ser tungado depois de todo esse esforço que estamos fazendo. Precisamos de mais respiradores”.

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