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Assessora de Relações Internacionais da FIEP fala sobre a internacionalização industrial na Paraíba e das perspectivas do CIN/PB no ano de 2020

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por GUILHERME LIMA

Integrante do IDeF

13 DE NOVEMBRO DE 2020

Raquel Leite (arquivo pessoal)

​Em 30 de setembro de 2020, a Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) transmitiu no Youtube mais um evento virtual como parte da série “A extensão que eu faço”, trazendo a temática “Exportações paraibanas, potencialidades e capacitações”, oferecido pelo PROBEX COMEX. O evento contou com a participação da Assessora de Relações Internacionais da Federação de Indústrias da Paraíba (FIEP), Raquel Leite, que apresentou os panoramas atuais das indústrias paraibanas e potencialidades das exportações no estado com base nas perspectivas do Centro Internacional de Negócios da Paraíba (CIN/PB).

A FIEP integra o escopo de atuação do Sistema Indústria, rede nacional de caráter privado que no estado da Paraíba executa um papel fundamental no apoio, representatividade e sustentabilidade das atividades industriais. Outra integrante desse sistema, coordenada pela Confederação Nacional de Indústrias (CNI), é a Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN) que opera um conjunto de serviços para a internacionalização e apoio na área do comércio exterior aos seus sindicatos e empresas filiadas. A assessora Raquel destacou que atualmente há cerca de 4.000 indústrias paraibanas filiadas à FIEP, dentre estas, 50 indústrias e empresas exportadoras e 148 importadoras.

O cenário atual proporciona desafios para o desenvolvimento, mas também remete a novas oportunidades de recuperação econômica e exploração das potencialidades locais.

A presente pandemia da COVID-19, para além das novas demandas de saúde pública, provocou diversos impactos econômicos a nível nacional e internacional. Somente no segundo trimestre de 2020, o PIB brasileiro foi marcado por um recuo histórico de 9,7% comparativamente ao primeiro trimestre segundo dados divulgados pelo IBGE. O cenário atual proporciona desafios para o desenvolvimento, mas também remete a novas oportunidades de recuperação econômica e exploração das potencialidades locais.

Foto: Nathalia Williany

DESAFIOS E POTENCIALIDADES

Sobre os impactos da COVID-19 na produção industrial, a Assessora Raquel Leite indica que “tivemos uma retração de mercado com crises econômicas, quedas de faturamento, fechamento de indústrias e empresas, aumento de custos, falta de matérias- primas para a produção. Também tivemos um aumento de valores de produtos impactando na competitividade, então, foi um ano totalmente de incertezas no cenário mundial”. A atual conjuntura marcada pelo fechamento de fronteiras internacionais e de dificuldades na operação de fábricas e indústrias, sobretudo nos meses iniciais da pandemia, refletiu em aspectos determinantes para a condução de atividades exportadoras e importadoras.

uma parte positiva diante do cenário de pandemia é que “nunca foi oferecido tanto conhecimento gratuito na internet”,

Neste sentido, a atuação do CIN/PB e da FIEP trabalha no apoio às necessidades do setor industrial e às suas dificuldades para a prática do comércio exterior. Segundo a Assessora de Relações Internacionais, “tivemos que trabalhar novas formas de atuação. Nós do Centro Internacional de Negócios estamos trabalhando com webinars, cursos em EAD, participações em palestras online, lives e, também, estamos dando consultoria”. Raquel destaca que uma parte positiva diante do cenário de pandemia é que “nunca foi oferecido tanto conhecimento gratuito na internet”, o que favorece o objetivo da Rede CIN de “implantação de uma mentalidade exportadora dentro do estado e no Brasil”.

“para uma indústria exportar ela precisa gerenciar sua organização interna e ter pessoas capacitadas que busquem o mercado externo”.

Os benefícios da inserção internacional de empresas e indústrias são múltiplos: alguns exemplos pontuados na apresentação da Raquel ressaltam a diminuição da dependência do mercado interno, o aproveitamento integral das potencialidades industriais, o crescimento produtivo, incentivos fiscais diferenciados, melhorias qualitativas nos produtos, entre outros. Ademais, ainda de acordo com a assessora, “para uma indústria exportar ela precisa gerenciar sua organização interna e ter pessoas capacitadas que busquem o mercado externo”. Na conjuntura presente, aproveitar as oportunidades de inserção internacional, aprimorar os produtos e analisar o comportamento dos mercados são estratégias fundamentais para se pensar a superação das adversidades econômicas.

INDICADORES DAS EXPORTAÇÕES PARAIBANAS

Os indicadores do CIN/PB demonstraram alguns cenários positivos de projeção das indústrias paraibanas nos mercados externos, como pode ser observado abaixo:

Figura 1 – Comparativo das exportações do estado da Paraíba de 2016 até 2020 nos períodos de janeiro até agosto em milhões de dólares (Valor FOB).

Fonte: Centro Internacional de Negócios da Paraíba (2020)

O gráfico indicado na Figura 1 aponta para uma variação muito pequena em relação aos dados das exportações na Paraíba, surpreendendo as tendências que apontam para uma queda brusca frente os desafios da crise sanitária. Ainda que tenha sido evidenciado um decréscimo de 15,4% nas exportações de 2020 em relação ao ano de 2019, quando analisamos os dados de 2018 esse decréscimo é de apenas 3,2%. Raquel Leite ressalta que a Paraíba é “um estado que não tem um crescimento gradual, e sempre tem uma variação por fatores internos” e que “considerando 2020 como um ano de pandemia e 2018 como um ano normal, acredito que estamos dentro do aceitável”.

Por sua vez, o gráfico da Figura 2 destaca que apesar da queda esperada e evidenciada na balança de exportações nos meses iniciais da pandemia, os valores começam a melhorar e estabilizar a partir do mês de junho. Estes índices demonstram potenciais oportunidades para a internacionalização da produção industrial no estado e também aponta para um cenário favorável à recuperação econômica dentro do setor considerando todas as particularidades da conjuntura vigente. 

Figura 2 - Comparativo das exportações do estado da Paraíba entre os meses de janeiro e agosto de 2020 em milhões de dólares (Valor FOB).

Fonte: Centro Internacional de Negócios da Paraíba (2020)

A assessora faz a indicação de alguns produtos que obtiveram resultados satisfatórios no período até agosto de 2020:

● Calçados de Borracha (NCM 6402200)
● Álcool etílico não desnaturado (NCM 22071090)
● Água de Coco (NCM 20098921)
● Granito, simplesmente cortado (NCM 25161200)
● Frutas: Mamão, Abacate, Coco, Abacaxi (Cap. 8)
● Outros sucos de abacaxi (NCM 20094900)
● Vermiculita (NCM 25301090)
● Mamões (Papaias) frescos (NCM 08072000)

a mudança de hábitos a nível mundial marcada pela busca por produtos saudáveis e a alteração na competitividade de setores a nível internacional fortaleceram a participação de alguns itens advindos da produção paraibana nos mercados externos, sobretudo no setor de frutas como o abacaxi.

De acordo com Raquel, “aqui na paraíba nós somos favorecidos por muitos produtos que não dependem de importação, então, a gente tem produtos que são feitos, elaborados e beneficiados completamente com o mercado interno, com a riqueza do nosso estado, do nosso país, do solo e dos minerais. Lógico que nós também temos produtos que dependem de matérias importadas como é o caso de calçados”. Também é destacado que a mudança de hábitos a nível mundial marcada pela busca por produtos saudáveis e a alteração na competitividade de setores a nível internacional fortaleceram a participação de alguns itens advindos da produção paraibana nos mercados externos, sobretudo no setor de frutas como o abacaxi.

As indústrias e empresas exportadoras do estado da Paraíba também conseguiram manter relações com players de diversos países, os quais são pontuados na apresentação respectivamente por ordem de maior participação na balança de exportações, indicando: Estados Unidos, França, Austrália, Bélgica, Países Baixos, Filipinas, China, Itália, Espanha e Tailândia. Raquel aponta que “mesmo diante da pandemia exportamos mais para os EUA do que no ano passado. Isso aconteceu devido à entrada do álcool, que permitiu um aumento em dólar no valor exportado. Nós temos também a água de coco em alta contribuindo para esse crescimento e para esse valor em 2020. Também temos para os Estados Unidos a exportação do suco de abacaxi, de ladrilhos, placas de granito, do açúcar de cana” entre outros itens que compuseram os cerca de 8 milhões de dólares em produtos exportados para o país. Na maioria dos países o setor de calçados de borracha também demonstrou uma forte participação nas exportações.

CENÁRIOS DE RECUPERAÇÃO

​Diante deste cenário, é possível reconhecer que as indústrias da Paraíba estão em um processo de recuperação econômica. No contexto de engajamento das empresas e indústrias com o Comércio Exterior, apesar dos desafios da pandemia, a assessora reconhece a volta das exportações para países que estavam com fronteiras fechadas como oportunidades para a retomada e aquecimento das atividades exportadoras no estado. Além disso, ainda é ressaltada na apresentação a importância do olhar aguçado para as potencialidades de produtos locais de alta qualidade, que ainda não são exportados e que podem vir a ser inseridos como cases de relevância.

apesar dos desafios da pandemia, a assessora reconhece a volta das exportações para países que estavam com fronteiras fechadas como oportunidades para a retomada e aquecimento das atividades exportadoras

Referências:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. PIB tem queda recorde de 9,7% no 2º trimestre, auge do isolamento social. 2020. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de- noticias/noticias/28720-pib-tem-queda-recorde-de-9-7-no-2-trimestre-auge-do isolamento-social. Acesso em: 15 out. 2020.

Raquel Leite é Assessora de Relações Internacionais da Federação de Indústrias da Paraíba (FIEB), advogada, vice-presidente da Comissão de Direito Internacional da OAB-PB, vice-coordenadora da Coordenação de Relações Brasil-China da OAB-PB e pós-graduada nas áreas de Comércio Exterior e Direito Internacional.

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