MUNDO | Inclusão social e Segurança pública

AfroChamber e Turismo: África, Natureza e Urbanidade

por JOÃO PAULO ALVES

Chefe da Divisão de Política Internacional da AfroChamber

23 DE JANEIRO DE 2020

A aproximação entre o Brasil e a África passa, necessariamente, pela transcendência da diplomacia e do comércio, alcançando a construção de laços de natureza sociocultural, que permitem o intercâmbio de conhecimento e a intensificação dos fluxos internacionais. Centrado não nos Estados mas nas pessoas, o turismo internacional é ferramenta primordial nesse sentido, e a AfroChamber tem consciência da sua relevância para os negócios: há 47 anos, essa organização da sociedade civil promove o estreitamento das relações no Atlântico Sul utilizando-se das mais diversas ferramentas, como o Across the World: Egypt vem a demonstrar. Aí se encontra a relevância da Câmara para as experiências de cooperação internacional descentralizada, proporcionando casos de relevo a serem observadas com atenção.

A AfroChamber visa ser o ponto de conexão entre os governos, mercados e sociedades da América Latina e da África, objetiva fazer da África um ambiente cada vez mais conhecido e familiar para os brasileiros, desconstruindo os mitos que envolvem o continente e obstaculizam o seu desbravamento.

A AfroChamber visa ser o ponto de conexão entre os governos, mercados e sociedades da América Latina e da África, trabalhando em proximidade com o Itamaraty, o Comitê de Embaixadores Africanos e entidades subnacionais na promoção de negócios transnacionais. Em síntese, objetiva fazer da África um ambiente cada vez mais conhecido e familiar para os brasileiros, desconstruindo os mitos que envolvem o continente e obstaculizam o seu desbravamento.

Isso é executado por meio de dois canais complementares, o primeiro sendo a produção de informações orientadas aos negócios internacionais, como análises de mercado, briefings e seminários, que apresentam as oportunidades que o continente africano tem a oferecer às empresas e aos investidores brasileiros, e o segundo sendo a imersão nos países e mercados alhures, na promoção de viagens, missões e delegações aos cinquenta e quatro países africanos, incrementando o turismo e promovendo negociações com entidades locais.

Em termos de Internacionalização Descentralizada, como nos propomos a apresentar, a AfroChamber beneficia-se de networking com entidades subnacionais para construir suas estratégias e levar a cabo seus objetivos, estando em perene contato com governos estaduais, prefeituras municipais e associações de empresas.

Em termos de Internacionalização Descentralizada, como nos propomos a apresentar, a AfroChamber beneficia-se de networking com entidades subnacionais para construir suas estratégias e levar a cabo seus objetivos, estando em perene contato com governos estaduais, prefeituras municipais e associações de empresas.

Caso emblemático é o da parceria entre a Câmara e a Associação Paulista de Municípios, cujo estreitamento resultou na participação do 63º Congresso Estadual de Municípios e na contribuição com a 78ª Revista Municípios, em ambos os casos apresentando à comunidade política as oportunidades que se vislumbram no continente em termos de comércio, investimento e turismo. Ademais, avança-se na parceria entre a Câmara e a Prefeitura do Município de São Paulo, que, na qualidade de sede da instituição e hub de negócios da América Latina, oferece inúmeras possibilidades na organização de eventos, feiras e conferências de caráter internacional, intensificando os fluxos de bens, serviços e pessoas entre os dois lados do Atlântico Sul.

A África dispõe, em suas cinco macrorregiões, de imenso potencial para o Turismo, com um território vasto que conecta latitudes, biomas e ecossistemas de belezas incomparáveis, da natureza à urbanidade. Ao Norte, o Vale do Rio Nilo; a Oeste, o Santuário Natural Okomu; ao Centro, a Selva do Congo; ao Leste, o Monte Kilimanjaro; e ao Sul, as Savanas; esses e outros patrimônios naturais unem-se pelos desertos (Saara e Kalahari), pelas pradarias (Grasslands orientais) e bacias hidrográficas (Nilo, Níger e Congo). Complementam o rol de destinos as cidades africanas, cada vez mais cosmopolitas, funcionais, inteligentes, modernas e sustentáveis, cortadas por avenidas, marcadas por arranha-céus, e pontilhadas por canteiros de obras: Cairo, com 10 milhões de habitantes; Lagos, com 13 milhões de habitantes; Kinshasa, com 13 milhões de habitantes; Dar el Salaam, com 6 milhões de habitantes; e Joanesburgo, com seus 5 milhões de indivíduos, de todas as origens.

No caso do Turismo, em especial, a Câmara, à convite da República Árabe do Egito, promoverá o Across the World: Egypt Tour como programa-piloto, para em sequência organizar o envio de delegações com periodicidade aos demais destinos. Em Março de 2020, a AfroChamber enviará, em parceria com o apresentador, biólogo e economista Richard Rasmussen, uma expedição de 10 pessoas ao Egito, visando colocá-las em contato com a as paisagens e a cultura do país. Os membros da expedição realizarão uma viagem de 23 dias por 9 destinos, passando por Cairo, Alexandria, Siwa, Gizé Luxor, Aswan, Sinai, Dahab e Abu Simbel, em cada um explorando seus pontos turísticos e imiscuindo-se com suas comunidades locais. A presença de Rasmussen complementará a viagem, ao dar-lhe uma perspectiva inovadora sobre a interação entre turista e natureza, além de registrar os seus desdobramentos do projeto em sua plataforma digital de conteúdo.

Certamente, o Across the World: Egypt Tour representa apenas o início, tendo o programa um sem-número de ramificações possíveis, dada a multiplicidade de ambientes a serem visitados no continente africano. Os Estados que compõem a região do Maghreb, pela proximidade com a Europa e rica cultura islâmica, atraem contingentes numerosos de turistas, sendo o Egito, a Tunísia e o Marrocos cercados pelo Saara e berços de civilizações histórica e recebendo, respectivamente 8 milhões, 7 milhões e 11 milhões de turistas todos os anos; os Estados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), igualmente, são destinos privilegiados pelos viajantes estrangeiros, e África do Sul, Moçambique e Zimbábue recebem, em média, 10 milhões, 1 milhão e 2 milhões a cada ano. A África Oriental permanece como a fronteira a ser explorada pelos visitantes do Ocidente - e, em especial, os brasileiros -, com Etiópia, Quênia, Tanzânia, Madagascar e Ilhas Maurício como abrigos de patrimônios extraordinários.

a Câmara tem consciência de que as relações internacionais transcendem a diplomacia e o comércio, e devem necessariamente atingir as sociedades e culturas para serem sustentáveis; daí a importância do Turismo, que permite o intercâmbio de experiências, vivências e conhecimentos, alargando o espaço para a cooperação entre os povos.

A AfroChamber, como conectora da América Latina e da África, se propõe a atuar em todas as frentes que possam servir à construção, consolidação e permanência dessa amizade. Parceira da União Africana e comprometida com a Agenda 2063, a Câmara tem consciência de que as relações internacionais transcendem a diplomacia e o comércio, e devem necessariamente atingir as sociedades e culturas para serem sustentáveis; daí a importância do Turismo, que permite o intercâmbio de experiências, vivências e conhecimentos, alargando o espaço para a cooperação entre os povos.

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