UNIVERSIDADE  |  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O professor Henrique Menezes (CCSA-UFPB) fala como os ODS podem resultar em projetos dentro da universidade

24 DE ABRIL DE 2019

Henrique Zeferino de Menezes é Doutor em Ciência Política e Mestre em Relações Internacionais. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Possui atuação e desenvolve projetos com a Agenda 2030 desde 2014.

Henrique Menezes em entrevista ao IDeF. Foto: IDeF.

O IDeF entrevistou o professor doutor Henrique Zeferino de Menezes sobre suas pesquisas e projetos universitários desenvolvidos com enfoque nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A entrevista traz um panorama geral de como esse assunto foi abordado em suas pesquisas e como se desenvolveu dentro da UFPB, mostrando de que maneira as universidades podem interagir melhor com a Agenda 2030.

Como teve início as suas pesquisas sobre os ODS e quais foram os principais resultados obtidos até agora?

 

 

Foram dois os editais usufruídos pelo Projeto, sendo de grande relevância para o desenvolvimento do tema na Universidade, pois garantiu uma boa quantidade de recursos destinados a alunos bolsistas e para despesas no desenvolvimento do projeto, como a contratação de transporte, compra de equipamentos, produção de material, etc. A partir de 2015, então, houve um foco maior nos aspectos do papel da sociedade civil na implementação dos ODS, o que foi realizado por meio de atividades específicas, dentre elas cursos, oficinas e principalmente capacitações. Essas capacitações aconteceram em diversos municípios do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba. Além disso, foram realizadas ações junto a organizações de responsabilidade social de empresas privadas, como o Instituto Alpargatas e o Instituto Maria Madalena Oliveira Cavalcante (IMMOC). O nosso objetivo era apoiá-los na implementação dos ODS em suas ações e práticas, visto que possuíam propósitos de causa social e difusão dos objetivos, principalmente em escolas municipais (IA) e comunidades locais (IMMOC). Além disso, nosso Projeto realizou uma consultoria com a UNIMED, com o intuito de integrar os ODS.

 

Qual a origem, os objetivos e as atividades do Núcleo de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (NPDS), que você faz parte? Como o Núcleo trabalha com os objetivos (ODS)? E como as cidades podem se beneficiar dos ODS?

Henrique: O Núcleo surgiu como um desdobramento de algumas ações desenvolvidas na UFPB. Uma delas foi justamente o projeto de Extensão e a outra foi a participação de um grupo de professores na realização de duas pesquisas para a Rede de Monitoramento Cidadão de João Pessoa, da Iniciativa Cidades Emergentes e Sustentáveis do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Da pesquisa e do interesse da UFPB com a Agenda ODS, foi criado o Núcleo para consolidar essa agenda de pesquisa sobre desenvolvimento sustentável na universidade. Assim, o NPDS iniciou com o intuito de ser um grupo de pesquisa sobre políticas públicas e desenvolvimento sustentável para realizar pesquisas e análises que pudessem contribuir para a concretização de iniciativas de desenvolvimento na região. O nosso grupo conta com equipe multidisciplinar e professores de diversos departamentos da UFPB (Ciências Sociais, Economia, RI, Geografia).

 

                               A UFPB é signatária de dois memorandos de

                                   entendimento com o Programa das Nações Unidas

                                   para o Desenvolvimento (PNUD) em que

                                   se compromete a cooperar no alcance

                                   da Agenda 2030

 

Henrique: Então, o Núcleo possui o intuito de atuação nas áreas de políticas públicas e desenvolvimento sustentável, sendo também responsável por apoiar a Universidade Federal da Paraíba na implementação dos ODS. Isso porque a UFPB é signatária de dois memorandos de entendimento com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em que se compromete a cooperar no alcance da Agenda 2030. Além disso, o Núcleo desenvolve ações no âmbito acadêmico, como atividades de pesquisa acadêmica e científica, projetos de extensão e execução de trabalhos técnicos em áreas de avaliação e monitoramento de políticas públicas para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental; participação política e democracia social; bem como de sustentabilidade ambientar e ordenamento territorial. As nossas atividades em processo e em planejamento do Núcleo são diversas, tais como a atuação no diagnóstico socioeconômico dos ODS nos municípios; ações envolvimento a mobilidade urbana; o mapeamento de políticas externas que possam participar da cooperação conjunta; a avaliação de empresas privadas na implementação dos ODS; a avaliação e o alinhamento de Secretarias dos Estados, principalmente a da Paraíba, com os objetivos; além de, principalmente, apoiar os governos na implementação dos ODS.

Na sua opinião, como as universidades e os ODS podem dialogar?

Henrique: Ao meu ver o questionamento de como a academia pode ultrapassar os muros e chegar a sociedade é muito pertinente e complexo, pois envolve uma série de questões, sendo os custos e os investimentos as principais delas. Uma das contribuições realizadas tanto pelo “Projeto de Extensão de Contribuição para a Implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” quanto pelo “Núcleo de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (NPDS)”, com o apoio da Pró-Reitoria Administrativa da UFPB, foi a produção pioneira do mapeamento e da análise de todos os projetos de extensão de 2018 e 2019 que possuíssem ações que dialogassem com os ODS. A partir disso, será produzido um catálogo de apresentação de Projetos de Extensão da UFPB que gerem algum impacto no Desenvolvimento Sustentável, com o intuito de atrair investimento para essas ações e integrar os ODS à Universidade, além de servir como base para uma futura análise de outros projetos da universidade, como o de pesquisa, que possuam esse diálogo. Acredito que esta será uma forma de contribuição e também de obtenção de recursos para perpetuação dos estudos e projetos que dialoguem com os ODS nas universidades.

Henrique: As pesquisas a respeito do tema tiveram início em 2014 com o projeto de iniciação de pesquisa “Economia Política dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas”, que era formado por três alunos do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e tinha a minha orientação. A primeira etapa tinha como foco uma análise dos resultados dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – o que não foi alcançado, seus problemas, lacunas e os equívocos no processo de negociação – e os impactos sobre o processo de conformação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

 

Os principais resultados dessa primeira etapa consistiram na formação dos alunos sobre o tema e na produção acadêmica dos alunos sobre os ODS, principalmente nos Trabalhos de Conclusão de Curso. Esse projeto inicial foi a base para apresentação e consolidação do tema no Projeto de Extensão Universitária (Edital PROEXT 2015), que tinha a mim e a professora Xaman Minilo como organizadores (Projeto “Participação da Sociedade Civil nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”).

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